Alopecia Areata

A alopécia areata, conhecida vulgarmente como “pelada”, é uma doença de causa desconhecida que atinge igualmente crianças, homens e mulheres, de qualquer idade, caracterizando-se pela queda repentina dos pelos em áreas localizadas, formando placas circulares sem cabelos e sem alterações da pele. Entre as possíveis causas, está a predisposição genética que seria estimulada por fatores desencadeantes, como o estresse emocional e fenômenos autoimunes. Pode atingir o couro cabeludo e também outras regiões como a área da barba, supercílios, cílios ou qualquer outra região pilosa.
A “pelada” pode ter remissão espontânea ou tornar-se crônica, com o surgimento de novas lesões e evolução para a alopecia total, que atinge todo o couro cabeludo e até mesmo para a alopecia universal, quando caem todos os pelos do corpo. Estes casos são de controle e tratamento mais difíceis.
Geralmente, a doença não acompanha nenhum outro sintoma, mas pode estar associada a diversos fatores. A repilação pode ocorrer por si só ou após tratamento em semanas ou meses e, algumas vezes, os pelos nascem brancos e depois escurecem. É comum ocorrer a recidiva das lesões.

 

Androgenética (Calvície Feminina)

A calvície, que já incomoda bastante os homens, quando acomete as mulheres pode ser causa de grande ansiedade e sofrimento emocional. Normalmente é acompanhada de um quadro depressivo associado. Os cabelos têm grande importância na estética feminina e são muito valorizados como característica deste sexo. A perda deles traz enorme significado em relação à auto-estima sendo motivo frequente de busca de tratamento. Nem sempre diagnosticada precocemente, as mulheres acabam passando por vários tratamentos inócuos e, quando o diagnóstico é realizado, já houve uma perda definitiva significante de cabelos que poderia ter sido evitada se fosse tratada corretamente numa fase precoce.
A alopécia androgênica (calvície) é uma condição que atinge principalmente os homens, mas que também pode afetar as mulheres, pelo mesmo motivo (acima explicado). Aproximadamente 30% das mulheres apresentam algum grau de calvície.
Diferente dos homens, que perdem seus cabelos na totalidade, as mulheres têm uma perda parcial dos cabelos. A área mais crítica das mulheres é a a região superior frontal da cabeça. Outra diferença é que, nas mulheres, os cabelos das regiões laterais e posterior da cabeça também podem estar afetadas, fato incomum nos homens. A maioria das mulheres com calvície tende a preservar os cabelos da linha frontal, enquanto os homens desenvolvem as “entradas”.
O quadro pode se tornar mais intenso se a mulher apresentar alterações hormonais, como a síndrome do ovário policístico ou na menopausa. Em algumas mulheres, a alopécia androgênica só começa a se manifestar após a menopausa quando ocorre uma diminuição da produção dos hormônios femininos. Em outros, já pode ser detectada após a puberdade. O afinamento dos fios, dificuldade de crescimento e a rarefação frontal são característicos na fase inicial da alopécia androgenética feminina.

 

Androgenética (Calvície Masculina)

dhtÉ o termo médico para denominar o padrão masculino e feminino de queda de cabelo.
ALOPÉCIA: Termo para designar queda de cabelo, os quais existem vários tipos (Alopecia areata, alopecia androgenética…)
ANDRÓGENOS: são alguns dos vários hormônios que controlam a aparência e o desenvolvimento dos caracteres masculinos, entre eles a testosterona.
GENÉTICA: Herança de genes provenientes da família do pai ou da mãe.
Normalmente na puberdade o organismo começa a produzir a enzima 5-alfa-redutase. Quando a testosterona se junta com a 5-alfa-redutase, se transforma em dihidrotestosterona (DHT). Os folículos pilosos são sensíveis a DHT e então inicia-se o processo de padrão masculino ou feminino de queda de cabelo (calvície). É a causa mais comum. Representa 95% de todos os tipos de queda de cabelo.
A alopécia androgênica ou calvície masculina é uma manifestação fisiológica que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, não sendo considerada uma doença. A herança genética pode vir da família paterna, materna ou ambas. Pode iniciar-se na puberdade ou aos 20 ou 30 anos. Não existe cura, mas tratamentos recentes podem impedir temporariamente seu avanço acelerado.
É a DHT que age sobre os folículos pilosos com herança para a calvície e que inicia a redução progressiva destes. O resultado final deste processo é o afinamento dos fios de cabelo até a sua queda definitiva em forma de velus (penugem). Esse processo é chamado de miniaturização (ver ilustração abaixo). Áreas calvas começam a surgir, podendo ser localizadas ou totais. Somente as laterais e a parte posterior da cabeça são preservadas pois os folículos destas áreas não têm a genética da calvície. Associado a este quadro o couro cabeludo também fica mais oleoso, chamado de seborréia.

 

Dermatite Seborreica

Cerca de 72% dos pacientes que têm dermatite seborreica apresentam algum grau de queda de cabelo. O tratamento começa com uma boa higiene dos cabelos e do couro cabeludo através de xampus à base de cetoconazole, octopirox , sulfeto de selênio, entre outros.O uso de cremes à base destas mesmas substâncias também é indicado e, quando há coceira associada, pode ser usado um produto tópico que contém corticoide. O uso do laser de diodo de baixa potência (LLLT – Low Level Laser Therapy) também vem sendo associado ao tratamento de base para os casos mais resistentes. Quando a dermatite ultrapassa os limites do couro cabeludo e se apresenta de forma intensa, pode ser necessário o uso de antifúngicos orais à base de itraconazole ou cetoconazole.

 

Desnutrição

Dietas severas ou hábitos alimentares anormais podem desenvolver deficiências importantes de proteínas, vitaminas e minerais que são importantes para a vitalidade dos cabelos. Quando puxados, os fios se desprendem facilmente da raiz. Isto pode ser revertido com a normalização da dieta e um tratamento de reposição em doses elevadas de proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes.

 

Doenças Crônicas

Doenças crônicas como lupus eritematoso, artrite reumática, diabetes mellitus, infecções graves, entre outras, também causam perda de cabelo. Nestes casos, é necessário o tratamento da doença de base em associação com o tratamento dermatológico para recuperar ou manter os cabelos.

 

Doenças da Tireoide

Tanto o hipertireoidismo como o hipotireoidismo podem causar queda de cabelo. Exames laboratoriais específicos podem confirmar o diagnóstico. Esses cabelos perdidos poderão ser recuperados se a tireoide for tratada rapidamente.

 

Eflúvio telógeno

O eflúvio telógeno é a queda intensa de cabelos que estão na fase telógena.

efulvio-telogenoPodem ser várias as causas que determinam o surgimento do eflúvio telógeno, como: pós-parto, interrupção do uso de pílulas anti-concepcionais ou de reposição hormonal, infecções e doenças acompanhadas de febre alta, traumas físicos e/ou emocionais, pós-operatório, doenças da tireoide, deficiências nutricionais (ferro, zinco e proteínas) ou dietas muito restritivas (com ou sem medicamentos). Considerando-se que a queda de cerca de até 100 fios por dia é considerada normal, para que se caracterize o eflúvio, o número de fios que caem deve ser maior que este. A doença não se acompanha de nenhum outro sintoma, mas pode estar associada a outras doenças, como a dermatite seborreica que, quando intensa, também pode ser um fator desencadeante do eflúvio telógeno.

 

Causas físicas

Escovação vigorosa, secadores, luzes, sol em excesso, presilhas e borrachas também podem danificar os cabelos. A tração excessiva dos fios rompe as fibras e danifica a cutícula (capa do cabelo) deixando-os quebradiços, secos, sem brilho e com pontas bifurcadas (o mesmo pode ocorrer por danos químicos) e por fim, a queda. A mudança de hábitos é obrigatória para recuperar os danos.

 

Infecções e Febre Alta

Doenças infecciosas (bacterianas, parasitárias, fúngicas ou viróticas) podem causar uma queda difusa dos cabelos. Cerca de um a três meses depois da infecção ou de um quadro febril, os cabelos podem cair em grandes volumes. A reposição ocorre depois que a infecção é tratada naturalmente ou através de tratamento dermatológico específico.

 

Infecções por Fungos

As micoses (tinhas) começam com pequenas placas circulares sem cabelos que lembram uma “pelada“, mas apresentam inflamação e descamação na pele, além de coçar. Parte do cabelo não cai, mas os fios quebram próximos à raiz. A micose é contagiosa, pruriginosa (coça) e mais comum em crianças. Antifúngicos orais e locais curam totalmente.

 

Causas Medicamentosas

Algumas drogas podem causar uma queda temporária de cabelos. A quimioterapia, mais conhecida, provoca uma queda total dos cabelos.  Entre as inúmeras drogas que podem levar à queda de cabelos estão: determinados anti-inflamatórios, antibióticos, antidepressivos, antihipertensivos, anticoagulantes, anticonvulsivantes, antivirais, anestésicos, altas doses de vitamina A, anabolizantes, hormonais e também na suspensão da pílula anticoncepcional, além de outros. Eliminando a medicação responsável, os cabelos voltam a nascer e crescer normalmente. Em alguns casos há necessidade de tratamento dermatológico para estimular o nascimento e crescimento dos cabelos.

 

Pós-parto

Durante a gravidez a mulher não costuma perder cabelos mas cerca de dois a três meses após o parto, muitos cabelos entram na fase de repouso do ciclo do cabelo e caem em grandes quantidades. Quando puxados, saem facilmente nas mãos. Esse período do ciclo dura de um a dois meses e tende a estabilizar-se naturalmente. Caso contrário, a ajuda de um dermatologista é necessária porque outras causas podem estar associadas, como depressão, carências vitamínicas, estresse, distúrbios hormonais, entre outras.

 

Produtos Impróprios

Muitas mulheres e homens usam tratamentos químicos para clarear, tingir, alongar, alisar, enrolar ou encrespar os cabelos. Esses tratamentos não costumam danificar os fios quando usados corretamente.

A intensidade e frequência no uso desses produtos é que determinam o dano. Nesse caso, a suspensão temporária dos produtos é necessária. Escovação, secadores, luzes e xampus em excesso também podem danificar os cabelos. A mudança de hábitos é obrigatória para recuperar os danos.

 

Queda de cabelo em crianças

Embora menos comum do que nos adultos, as crianças também perdem cabelo. Nos Estados Unidos, 3% das consultas ao pediatra devem-se a este problema. Fungos, traumas e algumas doenças estão entre as principais causas. Os pais devem ficar atentos e levar os filhos a um dermatologista para que seja feito um diagnóstico preciso. A queda de cabelo incomoda, em especial, crianças de mais idade, deixando-as com autoestima alterada.

Já nas primeiras semanas de vida, o bebê pode ter queda de cabelos difusa ou localizada. É um quadro transitório, que não precisa de tratamento.
As causas mais comuns de queda de cabelos em crianças são: alopecia areata, fúngicas no couro cabeludo, eflúvio telógeno, hormonais, nutricionais, tração (tricotilomania) e infecções bacterianas sistêmicas (amidalite, otite…).

Os fungos podem atingir crianças de todas as idades – em especial na regiões mais pobres, pelo fato de viverem aglomeradas e em moradias de higiene precária porém ocorrem mais em crianças na faixa pré-escolar e escolar, isto é, de 5 a 10 anos.

Existem dois tipos de queda de cabelo causada por fungos: a tinha tonsurante, mais frequente, é causada por um fungo adquirido de outras crianças ou de adultos doentes, da terra, da areia ou de cães e gatos. Nesse caso o microrganismo “corta” porções de cabelo próximo do couro cabeludo, deixando a criança com uma ou várias peladas. Já a tinha favosa, mais rara, é conatgiosa e grave. Ela provoca várias lesões no couro cabeludo, inflama o folículo piloso podendo deixar cicatriz e, portanto, calvície definitiva nos locais em que ocorre.
Já a alopecia areata caracteriza- se pela queda repentina e geralmente rápida de cabelo do couro cabeludo e/ou de qualquer outra região do corpo, deixando a pele lisa. Trata-se de uma doença autoimune, que atinge crianças, jovens e adultos. Na infância ocorre principalmente em meninos e meninas de 5 a 11 anos. Provoca mais frequentemente lesões redondas ou ovaladas.
É comum ser desencadeada por fatores como estresse pela perda de alguém querido.
A alopecia tradicional deve-se a traumas frequentes no fólico piloso pela ação de quem cuida da criança. O exemplo clássico é a mãe que sempre faz a mesma trança na filha, forçando seus cabelos. De tanto pressionar, o fólico piloso se inflama e atrofia. Os cabelos não nascem mais.
Já a tricotilomania, distúrbio psiquiátrico, também pode ocorrer em crianças. Em situações de tensão e estresse, elas mexem nos cabelos e os arrancam, formando áreas de calvície.
O eflúvio telógeno, por sua vez, se caracteriza por aumento na quantidade/proporção de cabelo na ùltima fase, a telógena, e a consequente aceleração no ritmo de queda. Pode ser agudo ou crônico. A forma aguda ocorre em geral dois a três meses após febre alta. A crônica se caracteriza quando a queda de cabelos ocorre por mais de seis meses. Entre as causas estão: desnutrição protéica, anemia crônica e o hipotireoidismo.
E o eflúvio anágeno, enfim, se caracteriza quando todos os fios de cabelo que estão na fase de crescimento ou de multiplicação (fase anágena) passam a cair. Ocorre em crianças maiores e mexe com sua vaidade e com autoestima. Nas situações mais graves, elas podem até ser atingidas por estados depressivos. O ideal é que, na primeira indicação de queda excessiva de cabelos, os pais procurem um dermatologista. A maior parte dos casos, felizmente, já tem tratamento eficaz.

 

Causas Químicas

Muitas mulheres e homens usam produtos com substâncias químicas fora das especificações legais para clarear, tingir, alongar, alisar, enrolar ou encrespar os cabelos. Os danos aos fios são imprevisíveis e muitas vezes tão severos que levam à intensa queda dos cabelos, além de queimaduras no couro cabeludo. Mesmo em condições adequadas, se o uso é frequente, esses produtos também podem danificar os fios e causar queda dos cabelos. Os próprios xampus, quando inadequados, trazem alterações ao cabelo e provocam queda.

 

Quimioterapia

Nenhum tipo de tratamento evita essa queda de cabelos. Para evitar o choque psicológico, assim que os cabelos começarem a cair, é melhor raspá-los para não visualizar a perda avassaladora dos fios. Uma prótese capilar (peruca) deve ser providenciada no início do tratamento. Felizmente, os cabelos voltam a nascer entre 6 a 12 meses após o término da quimioterapia. O cabelo pode nascer diferente do anterior no seu aspecto mas, com o tempo, ele pode recuperar a espessura e a cor originais.

 

Tricotilomania

Consciente ou inconscientemente os cabelos do couro cabeludo, bigodes, cílios e sobrancelhas são puxados ou enrolados até serem arrancados com das mãos. Esta prática é mais comum entre as crianças mas pode ser encontrada em adultos e na maioria das vezes esta ligada a distúrbios emocionais. O tratamento requer ajuda psicológica com um terapeuta ou psiquiatra.

 

Conclusão

Além dessas causas existem outras menos comuns que não foram comentadas aqui, mas que um especialista pode identificá-las com precisão. Saiba que a maioria das causas são reversíveis, quando diagnosticadas e tratadas precocemente.

O transplante de cabelos pode reverter a maioria dos casos de calvície de forma parcial ou total, com naturalidade.

As próteses (perucas e apliques) evoluíram bastante tanto na aparência como na fixação e são indispensáveis nas perdas de cabelos abruptas; como no caso da quimioterapia.

Cuidado com o mercado de “charlatões” que oferecem tratamentos e fórmulas mágicas através de xampus e produtos tópicos. Complicações imprevisíveis podem ocorrer, então evite! Se o seu cabelo apresentar problemas, procure um dermatologista. Administrar com tranquilidade a perda dos cabelos, quer seja temporária ou definitiva, é o segredo para conseguir resultados importantes e evitar desequilíbrios psicológicos que comprometem ainda mais a situação.